Uma brisa suave e um sol intenso encara.me pela manhã, acorda-me como o habitual. Nada melhor, que começar o dia com um sorriso enorme e com uma vontade gigante de passar o dia de forma alegre. Logo cedo, toca o meu telefone, procuro-o na mala, e desbloqueo-o. É uma mensagem do Ricardo, "Estou à tua espera, no café ao lado da faculdade, beijo", clico no botão vermelho e volto a guardar o meu telefone na mala. o meu pensamento foge, rapidamente para Agosto de 2010.
"Um belissimo dia de praia, levou-nos a conhecer-nos melhor. Mexeu comigo, não sei se por estarmos os dois carentes, mas creio que tenha sido pelo ar confiante dele, pela forma suave com que tentou chegar-se a mim. Foi algo que nunca nos levou a grandes loucuras, nada de grandes paixões. Mas aos poucos e poucos fomo-nos afeiçoando um ao outro algo bastante intenso, cheio de felicidade, nunca de momentos infelizes. Era como se nada estivesse contra nós, compreendiamo-nos, era tudo ideal. Olhavamo-nos nos olhos e parecia que nada mais existia, o momento congelavam-se por cada vez que estavamos juntos. (...) "
Cidade Universitária, saiu do metro, dirigo-me até à casa de banho e penso, na forma triste que nos levou a separar-nos.
"O Ricardo reencontro a ex-namorada e foi afastando-se de mim, sem que me fosse dando qualquer tipo de justificação, fiquei destruçada, quase sem ter forças para que o conseguisse encarar. Entretanto deixou mesmo de me dizer, uma única palavra, fui-me habituando e acabei por deixar de lhe dizer o que quer que fosse."
Sorriu para o espelho, arranjo-me e saiu bem confiante, sem que nada do que vá ouvir me destrua mais uma vez. Chego a porta do café, entro, e vejo-o logo enfrente, numa mesa a olhar para a chavena do café, com um ar tenso, pensativo.
Peço um café e sento-me na mesa. Digo-lhe Olá e espero que comece a falar comigo.
Sorri para mim, e confessa-me com um ar pesado que trás noticias terriveis.
Não respondo e espero, que tenha a iniciativa de começar a falar, e que confie em mim como sempre fez. Mas sempre com o meu ar, de positivismo, sempre com um sorriso sem que me ria.
Começa.
- " Rita, como sabes reencontrei a Mariana, temos estado juntos, mas eu não sou feliz como quando estavamos juntos. Não me tens saído da cabeça, a minha vida parece que está, uma bola de neve. Passei a noite em claro, sem saber como te iria dizer isto, só me quero ir embora, porque sinto que seja tudo uma forma de me prender, uma forma de ter a certeza que irei ficar ligada a ela para toda a minha vida."
Acaba este discurso, fico meia confusa e sem saber o que lhe dizer. Atraves dos meus olhos, tento transmitir-lhe que tudo se resolve, e que não há nada melhor que agirmos de forma segura para todos. Dá-me uma carta para a mão do médico, e diz-me para ler. Abro a carta, lentamente e ao mesmo tempo penso.
" Meu deus mas que raio este rapaz tem para me contar. Que seja o que Deus quiser."
Leio e releio, 3 e 4 vezes sem que queira acreditar no que estou a ler.
Respiro fundo, sem que lhe dê a entender que o faço. É um teste de gravidez, a Mariana está grávida de 1 mês. Dá-me um aperto no peito.
Olho-no nos olhos, e digo-lhe, " Daqui para a frente és uma pessoa com ainda mais responsabilidades, isto faz parte da vida. Felicidades Ricardo"
Dirijo-me para a saída com uma lágrima nos olhos, e sinto algo por trás de mim, oiço bem perto do meu ouvido, uma voz baixinha que me diz:
" O problema maior, é que eu queria que o meu filho fosse teu."
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